Discurso Direto



A tecnologia e a prática do Ensino a Distância

DD

O Ensino a Distância (EaD) tem sido, ao longo da sua história, alvo de desconhecimento, incompreensão e crítica quanto aos seus métodos e práticas. O paradigma dominante é o ensino presencial e é a referência para a maior parte das pessoas, sendo o EaD olhado frequentemente com desconfiança ou considerado um parente pobre do ensino.

As aulas, a presença do professor, a transmissão de conhecimento são aspetos que muitas vezes se apontam como sendo de difícil realização a distância. Não é raro os docentes da UAb ouvirem a pergunta: "Então como é que dão aulas à distância?". Assume-se que as tecnologias de comunicação permitem ensinar de forma semelhante, flexibilizando o tempo e o local em que se dá a "aula", mas que não é a mesma coisa. Pode-se disponibilizar Power-points e PDFs nas plataformas, mas sem uma orientação presencial do professor, a aprendizagem não é eficaz. A entrega de trabalhos pela plataforma é muito conveniente, mas só depois de desenvolvidos nas respetivas aulas práticas.

O problema de todos estes pressupostos (que não deixam de fazer sentido à luz do ensino presencial) é que a questão é vista só do lado da tecnologia, isto é, os métodos e práticas de ensino/aprendizagem são os mesmos, mas com a ajuda da tecnologia. Mas a tecnologia potencia a diversificação de métodos e estratégias de ensino e aprendizagem que raramente são explorados no ensino tradicional. E é esta exploração que é feita pelas instituições de EaD, que tentam encontrar modelos e práticas para criar novos materiais e recursos, novos tipos de atividades de aprendizagem, novas formas de interação.

Mas afinal, como é que se faz, na prática, ensino a distância? Como é que explica rapidamente aos impacientes professores do ensino presencial a forma de adaptarem os seus métodos de ensino ao EaD? Tarefa complicada, tal como em muitas áreas do saber, é necessária a experiência e a prática do dia-a-dia, além do domínio das tecnologias e algum conhecimento da investigação e do que melhor se faz noutras instituições congéneres. Não é apenas pela formação em tecnologias ou em modelos de EaD, que um grupo de docentes se adapta rapidamente a novas formas de ensinar e estimular a aprendizagem. Que o digam os docentes da UAb, e também os professores do Instituto Superior Técnico que participam no projeto do Mestrado de Informação e Sistemas Empresariais, uma parceria UAb/IST, em que a partilha de recursos e de experiências é uma mais-valia para ambas as instituições. Numa altura em que se pretende divulgar e ampliar o âmbito do EaD, envolvendo as instituições tradicionalmente dedicadas ao ensino presencial, o caminho do sucesso só poderá passar pela parceria com quem sabe e pratica o EaD no quotidiano, não pelo investimento cego em tecnologia e recursos que não se enquadrem numa estratégia e modelo claros e efetivos de EaD.

Prof. doutor Vítor Rocio
Pró-reitor da UAb para o Campus Virtual



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