Discurso Direto



Educação do séc. XXI: Rumo ao SUL

DD

No passado mês de março, no âmbito das minhas atividades como vice reitora para a Cooperação Internacional, tive oportunidade de me deslocar a duas ilhas do eixo sul-sul que, embora com geografias, culturas e línguas diferentes, vêem no ensino e na formação a distância portas abertas ao mundo do conhecimento, do progresso e da capacitação dos seus recursos humanos.

Tanto em Cabo Verde como na República Dominicana pude constatar que o Ensino a Distância (EaD) é considerado a forma mais sólida e sustentada para materializar as atuais tendências educativas do século XXI.

Cabo Verde foi o meu primeiro destino. Regresso sempre com entusiamo e expetativa à Cidade da Praia onde, há mais de uma década, a UAb iniciou os primeiros contactos com vista ao estabelecimento de parcerias e projetos de cooperação com instituições de ensino superior lusófonos. Coube-me a honra de fazer a abertura do 8.º Workshop em Estatística, Matemática e Computação-WSMC8, organizado pela UAb em parceria com o Instituto Superior de Ciências Económicas e Empresariais de Cabo Verde (ISCEE), o Centro de Estatística e Aplicações da Universidade de Lisboa (CEAUL) e o Instituto Politécnico de Tomar. Este encontro, realizado pela primeira vez fora de Portugal, revestiu-se de particular importância porque permitiu uma profícua troca de experiências e um alargado debate sobre o desenvolvimento de recursos e aplicações na área da Educação bem como de outros materiais concebidos especialmente para o eLearning.

Paralelamente, foram efetuados outros contactos institucionais com vista ao estabelecimento de novas parcerias e a preparação de projetos em EaD. À semelhança de outros países emergentes, e graças à massificação e explosão dos recursos e das redes digitais, está em gestação o projeto de criação de uma Universidade de Ensino a Distância cabo-verdiana. Trata-se de um projeto que se reveste da maior importância para este país arquipelágico, enquanto agente facilitador da democratização da educação e da expansão do conhecimento e que, certamente, terá um grande impacto social, político, económico e cultural.

A cooperação internacional e o intercâmbio científico, técnico e cultural com instituições congéneres é uma das áreas estratégicas da UAb. Nesse âmbito, desloquei-me até à República Dominicana, a Santiago de los Caballeros, cidade onde está sediada a Universidad Abierta para Adultos (UAPA), para participar na reunião do conselho diretivo da Associación Iberoamericana de Educación Superior a Distancia (AIESAD), à qual a UAb pertence há quase uma década, para apresentar uma comunicação sobre boas práticas e qualidade em EaD na UAb. Também foi particularmente enriquecedor o diálogo com os restantes parceiros ibero-americanos de instituições congéneres sobre temas relativos às novas tendências da educação a distância/virtual e outros temas nucleares, com particular destaque para os recursos abertos, as ferramentas e as práticas colaborativas, a avaliação do processo de ensino aprendizagem, as boas práticas e a qualidade, a certificação, a mobilidade, entre outras.

Ao longo dos anos, os eventos organizados pela AIESAD são espaços de interação, socialização e intercâmbio científico entre instituições de EaD europeias e da América Latina que se reúnem com o objetivo de apresentar o resultado das suas práticas, fortalecer a sua presença no mundo académico e procurar soluções para melhorar a qualidade da educação superior dessas regiões, num contexto socioeconómico, tecnológico e cultural em permanente transformação. Apesar de haver consenso relativamente aos benefícios da expansão das redes de conhecimento e da utilização sistemática das tecnologias e das ferramentas digitais elas, por si só, não resolvem os problemas de literacia e de acesso ao saber em larga escala.

Durante a estada na República Dominicana, tive oportunidade de constatar a importância que as universidades de ensino a distância têm no desenvolvimento das sociedades do eixo sul/sul, enquanto “instrumentos” potenciadores de conhecimento e progresso. O diálogo amplo e construtivo que se estabeleceu entre todos os participantes sobre as novas tendências, políticas e/ou práticas educativas em EaD foi muito enriquecedor. Permitiu à comunidade académica e empresarial a partilha de experiências e preocupações, mas também de ideias e de projetos inovadores e sustentados com vista ao desenvolvimento de sociedades que ainda têm défice a nível educacional.

Para terminar, uma nota final de esperança. A tomada de decisões a nível das políticas educativas não formais, as mudanças de atitudes e das práticas em ensino a distância/online estão na agenda internacional e merecem, cada vez mais, a atenção da classe política, a atenção do meio universitário, a nossa atenção e o nosso trabalho. É para alargar esta “boa prática”, em qualquer lugar do mundo, que trabalhamos, discutimos, estudamos e desenhamos novos cenários para o EaD do século XXI.


Prof.ª doutora Carla Padrel de Oliveira
Vice-Reitora para a Qualidade, Avaliação e Cooperação Internacional




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