Discurso Direto



Os 28 anos da Universidade Aberta

Notícia

A UAb, nos começos do atual mês de dezembro, completou o seu 28.º ano e, embora ainda jovem, é uma universidade, no sistema de ensino superior português, respeitada que manifestou e continua a manifestar a sua vitalidade. Vinte e oito anos de existência já é um longo período de tempo, mas talvez ainda curto para uma instituição com a natureza da nossa e com a relevância da função social que desempenha. A atual UAb é o legado que recebemos daqueles que, na nossa comunidade universitária, foram responsáveis pela sua criação e de todos aqueles que para ela têm contribuído ao longo de todos estes anos da sua existência.
Em qualquer caso, todos os membros da comunidade universitária podem orgulhar-se dos progressos alcançados nestas quase três décadas.

A UAb tem o seu próprio lugar no sistema universitário português, desempenha uma função social de primeira ordem, servindo as populações geograficamente afastadas e diversificadas, incluindo algumas com necessidades educativas especiais ou situações especiais, tem uma presença crescente na opinião pública, alcançou reconhecimento internacional, tem um número significativo de diplomados e graduados em diversas áreas do conhecimento e demonstrou a sua vitalidade e a sua participação no avanço do ensino superior em Portugal.
Ao longo destes vinte e oito anos, têm sido muitas as pessoas que em nós confiaram para iniciarem ou completarem os seus estudos académicos ou profissionais. Os números são espetaculares, ultrapassando nos últimos anos a média dos 8 mil, com a particularidade de não ter havido diminuição de inscrições, apesar dos tempos difíceis quer do ponto de vista económico e social quer na implementação de políticas públicas.

A par com a grande variedade de graus académicos e de diplomas no quadro da aprendizagem ao longo da vida, a UAb tem sido e assumiu-se como uma das principais vias de acesso à universidade para maiores de 23, um sector em que continua a ocupar um lugar proeminente no sistema universitário português. Temos, no quadro do sistema de ensino superior, a liderança em formações de ALV, no qual continuamos a ampliar a oferta nessa área que consiste numa longa lista de títulos próprios de várias tipologias de formação, por vezes em parceria com outras instituições, onde se inscreveram alguns milhares de estudantes/formandos.

Chegámos a novos grupos cujo perfil poderá não ser o do estudante dito convencional. Neste quadro muitos têm sido os estudantes que frequentaram (e frequentam) a Universidade Aberta, pois oferecemos-lhes uma oportunidade e uma abertura que se adapta às suas necessidades. A grande maioria deste público têm condicionalismos pessoais que impedem significativamente o seu acesso às salas de aula presenciais/regulares. Desde que necessário e sem grande esforço, adaptaram-se aos nossos materiais, tecnologia e canais de comunicação, e até mesmo aos formatos de avaliação presencial (p-fólios e exames). Em suma, somos destinatários e depositários da confiança de muitos cidadãos e, acima de tudo, não os podemos dececionar.

RENOVAÇÃO significativa da nossa oferta educativa/formativa

A UAb, embora com algumas resistências, tem aos poucos desenvolvido uma oferta de formação renovada, que evoluiu para atender às necessidades e às exigências das populações e, creio, que é um dos nossos principais pontos fortes – mas podemos ainda melhorar. Num processo sem grandes convulsões internas mas com algumas dificuldades externas, pela especificidade e diferenciação da nossa instituição, adaptámos nos últimos anos os nossos títulos para o quadro do Espaço Europeu do Ensino Superior (Processo de Bolonha) rápida e eficientemente. Implementámos alguns novos cursos de 1.º ciclo, 2.º ciclo e 3.º ciclo num curto período de tempo, o qual, em bom rigor numa instituição como a nossa, poder-se-á dizer, com algum mérito, que foi uma criação diversificada e atraente de novas ofertas académicas.

A adequação e implementação dos novos cursos forçou a comunidade universitária a fazer um grande esforço, que tem sido recompensado com a qualidade comprovada através do processo de avaliação e acreditação a que nos últimos anos temos sido sujeitos. Tanto o corpo docente como os funcionários e serviços têm dado o melhor de si para levar a cabo esta tarefa com recursos limitados e uma carga de trabalho acrescida. Ao mesmo tempo, as avaliações expressas pelos alunos através de questionários mostram, em geral, que há um notável grau de satisfação com os seus estudos e os serviços prestados. Isso não quer dizer que não existem problemas e dificuldades, mas no concreto pode ser descrita como geralmente positiva a avaliação que é feita ao processo de ensino e à qualidade desse mesmo processo. No entanto, não podemos considerar que chegámos ao topo da montanha, podemos é estar satisfeitos com as medidas tomadas nos últimos anos e que nos tornaram melhores.
Por via dos compromissos e parcerias que a UAb ultimamente assumiu, estamos a trabalhar para que possamos projetar novos cursos de graduação e novos programas de formação num processo planeado e faseado com um calendário definido, com o propósito de renovar, profundamente, a nossa oferta onde, em algumas áreas, manifesta evidentes sinais de estagnação. Isto implica que, desde que se justifique, continuaremos a desenvolver o processo de extinção dos antigos cursos e diplomas enquanto abrimos espaço para novos títulos. Os próximos anos serão anos desafiadores, neste processo de adaptação (transição), completando uma etapa importante no âmbito das parcerias já assumidas.

Temos um modelo territorial definido e consolidado

Um dos grandes sucessos da Universidade Aberta tem sido o modelo territorial que foi construído através da rede de Centros Locais de Aprendizagem (CLA). A existência desta rede, com parceiros locais (autarquias), proporcionou uma ampla presença geográfica com raízes profundas que não param de crescer (temos sido solicitados para que se proceda a abertura de mais CLA). Paradoxalmente, a proximidade territorial por contraposição da distância que nos carateriza através do nosso processo e método de ensino, emergiu como um dos nossos maiores ativos. O modelo atual é o resultado de sucessivas transformações, tendo em vista a nossa adaptação à evolução dos contextos e das circunstâncias. A existência das estruturas que são os Centros Locais, cada um com uma abrangência regional, funcionando e desenvolvendo as suas ações sob a supervisão da Unidade de Desenvolvimento (UMCLA) está a revelar-se um projeto bem-sucedido. Permite que a UAb possa estabelecer uma ligação instrumental ao nosso público, bem como uma ligação à sociedade por forma a enfrentar tarefas complexas de modo coordenado com os nossos parceiros, tornando mais homogénea a prestação de serviços, estabelecendo mecanismos de solidariedade e reforçando a sua presença nas diferentes regiões.

Os Centros Locais da UAb são um meio privilegiado de ligação com o território e com a sociedade envolvente, com os quais interagem em duas direções: disponibilizam a nossa oferta de formação para os potenciais beneficiários/público-alvo e podem identificar as suas carências e necessidades de formação. Os CLA estão em condições, e isso tem acontecido embora ainda não atingindo as metas que propusemos, de identificar e oferecer a oferta formativa mais adequada a cada público e a cada território e, ao mesmo tempo, estabelecer parcerias com os principais agentes educativos e culturais, daí resultando atividades conjuntas. Esta capacidade de sinergias e de trabalho colaborativo tem dado resultados na criação de redes de apoio institucionais, sem as quais não teríamos sido capazes de desenvolver a nossa ação. Várias são as autarquias que nos prestam esse apoio, para não mencionar várias organizações e instituições, tanto públicas como de natureza privada.

Somos pioneiros na criação e desenvolvimento de novos modelos de ensino

A UAb adotou, passando por vários processos e em várias etapas, desde a sua criação, um paradigma educacional inovador que alcançou reconhecimento pela sua inegável contribuição para a mudança no ensino e formação universitária.

Num primeiro momento, não deixou de causar estranheza ou admiração a existência de estudantes que não tinham que frequentar as aulas, mas tutorias, estudando em muitas situações com materiais não convencionais de ensino, ocasionalmente ouvindo o rádio ou assistindo a emissões televisivas e mantendo-se longe dos seus professores; foi, para a época (e em parte ainda persiste!) uma nova realidade, o que, ao mesmo tempo, não deixou de ser atraente para muitas pessoas. É certo que o apelo a distância levantou certas suspeitas, e alguns receios, o que contribuiu em certa medida para que a UAb fosse, ocasionalmente, vista não apenas como uma universidade da segunda oportunidade, mas até de segunda ordem. Mas os contínuos esforços de muita gente - de muitos docentes, funcionários, colaboradores -, a confiança de que mais e mais estudantes reconheceram na mais-valia da nossa instituição, a demonstração pública do rigor dos seus materiais (no começo foram os manuais) e dos seus exames e a constante colaboração com instituições parceiras têm contribuído para dissipar essas suspeitas.

A UAb ganhou reconhecimento, os seus graduados têm demonstrado um bom nível de formação e toda a nossa ação e experiência como instituição de EaD demonstrou que a aprendizagem pode ser promovida através de diferentes métodos de ensino. Queremos ser uma Universidade forte e consolidada e procuraremos e atenderemos um público-alvo de estudantes e formandos o mais abrangente e diversificadamente possível.

Esta é a universidade que deve servir de modelo para as outras universidades portuguesas, mesmo com tempos conturbados nos planos económico e sociais com evidentes repercussões no sistema de ensino superior português, a UAb permanece soberana, atuante, seguindo o rumo traçado, crescendo e cada vez mais vigorosa. É o seu papel, é o seu projeto, é esse o seu percurso!

Domingos Caeiro
Vice-Reitor da UAb



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