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Alocução do Reitor

Exmo. Senhor Presidente do Conselho Geral, Exmo. Senhor Reitor da Universidade de Coimbra, Exmos Senhores Vice-Reitores, Exmos Senhores Presidentes dos institutos politécnicos e seus representantes, Exmo. Senhor Professor Decano da Universidade Aberta, Exmos. Senhores Embaixadores e seus representantes, Exmas. Autoridades Civis e Militares, Exmas. Senhoras e Senhores Membros do Conselho Geral, Exmos. Senhores Presidentes das autarquias e seus representantes, Exmo. Senhor Presidente do Conselho Científico, Exma. Senhora Presidente do Conselho Pedagógico, Exmas. Senhoras e Senhores Membros do Senado da Universidade Aberta, Exmas. Senhoras e Senhores Diretores dos Departamentos, Exmas. Senhoras Coordenadoras dos Centros de Investigação, Exmas. Senhoras e Senhores docentes e investigadores, Exmas. Senhoras e Senhores dirigentes e trabalhadores não docentes, Exma. Senhora Presidente da Associação Académica da Universidade Aberta, Exmo. Senhor Provedor do Estudante da Universidade Aberta, Estimados estudantes da Universidade Aberta, Ilustres convidados e amigos, Minhas Senhoras e Senhores.

Permitam-me uma palavra inicial de agradecimento pela presença de tão ilustres convidados, o que muito me honra, em especial, por ser este o momento de partilha da afirmação pública do meu maior e incondicional empenho na liderança da Universidade Aberta no exercício deste novo mandato.

A Universidade Aberta é uma universidade para a sociedade digital, uma universidade que participa de forma ativa na globalização da aprendizagem e criação do conhecimento em rede. Uma universidade que está em qualquer lugar no mundo com a missão de fazer da língua portuguesa uma língua de partilha e expressão no pensamento e na cultura, na ciência e nas artes, no conhecimento e na inovação.
Deste modo seremos, enquanto Universidade de Ensino a Distância e eLearning, uma comunidade com afirmação internacional nas redes conhecimento através da oferta educativa de qualidade para a internacionalização e a globalização.

Fazer esta comunidade é o maior desafio! Um desafio que assumo na liderança sustentada na visão estratégica para a inovação na educação a distância e a cooperação na comunidade dos países de língua portuguesa.
Um desafio para construir a partilha do conhecimento em língua portuguesa e para o qual a Universidade Aberta tem um papel maior, que decorre da sua especialização, saber e experiência.

Promoverei uma liderança sustentada na visão estratégica da investigação na educação a distância e em rede, enquanto pilar para a atividade e a especialização da Universidade Aberta.
A especialização que decorre do saber e do saber fazer a Educação a Distância, o saber e a experiência de construir o conhecimento em rede na sociedade digital, que formalizarei através da criação de programas inovadores e avançados no âmbito do consórcio com a Universidade de Coimbra.

Queremos ser uma referência em Portugal e no mundo na Educação a Distância, valorizando, deste modo, o que nos diferencia, o saber e a experiência de estar em qualquer lugar no mundo através das plataformas digitais de ensino e na investigação em rede.
A educação a distância foi, na sua origem, um regime de ensino essencialmente dirigido para a qualificação de ativos, em particular na educação de adultos. Contudo, nos dias de hoje, este regime de ensino tem um impacto maior enquanto meio para a inovação social e científica na investigação, no ensino e na formação, numa perspetiva de educação não só inicial como ao longo da vida, permitindo, assim, o acesso de novos públicos ao conhecimento.
De facto não podemos mais continuar a conceber os processos de educação em cenários limitados temporalmente, como é ainda tradição no pensamento e conceção organizacional da universidade presencial. 
Os ciclos de mudança cultural, social e tecnológica, na sociedade contemporânea, obrigam-nos a desenvolver um novo posicionamento, mais consentâneo com os processos de fluidez do conhecimento na sociedade em rede, fluidez esta que entendemos ser absolutamente necessária para a elaboração do pensamento orientador da educação e formação continuada e ao longo da vida, enquanto meio para os nossos alunos desenvolverem as competências para enfrentarem os desafios do conhecimento e do futuro.

Fazer a educação e a formação em rede é o elemento caracterizador e diferenciador da Universidade Aberta. Para além disto, é necessário ter a perceção clara de que a rede constitui o ambiente natural, na globalização do conhecimento, para a criação da escala necessária para o desenvolvimento dos processos de mudança e inovação não só na investigação como também no ensino.
Mais do que aprender a pensar o presente o importante é, na sociedade do conhecimento em rede, desenvolver as competências para inovar na criação dos instrumentos e meios para pensar e resolver os problemas do futuro. Aprender, neste contexto, significa ter um papel ativo na sociedade contemporânea e futura.

Este é o lugar da Universidade Aberta porque é uma universidade cuja matriz fundacional se define em saber fazer as novas redes de conhecimento e criação de valor dirigidas para as necessidades reais das pessoas.

Deste modo, desenvolverei uma liderança estratégica para posicionar a Universidade Aberta não só como meio gerador da mudança para a qualificação da sociedade mas, principalmente, como meio para a inovação pedagógica e a criação de conhecimento avançado e em rede na Sociedade Digital.
O conhecimento pedagógico, tecnológico e organizacional que decorre da missão e projeto da UAb constitui a condição para a especialização da universidade nos contextos emergentes. É este conhecimento e especialização que a torna uma organização da maior importância para a renovação do sistema de ensino superior português na Sociedade Digital.

A UAb é a universidade mais recente do sistema de ensino superior público português, mas é a que detém o conhecimento mais avançado e especializado no domínio do saber e do saber fazer a educação a distância. Deste modo, a UAb reúne as melhores condições para se afirmar como o motor de desenvolvimento para a investigação na Educação a Distância no país.

Na conceção atual a educação a distância não é um processo de aprendizagem realizado de forma isolada e solitária, como o foi nas primeiras gerações deste regime de ensino.
Pelo contrário, a Educação a Distância na conceção contemporânea, que é partilhada pelas melhores instituições internacionais, é um processo conversacional, colaborativo e construído numa comunidade virtual de aprendizagem, direcionada para a interação entre pares e a valorização da criação do conhecimento como um processo social e cognitivo na Sociedade Digital.
Este facto requer uma mudança de atitude e ação concretizadas na formação intensa para a docência online que tenho como objetivo promover.

Deste modo, falar de Educação a Distância, hoje em dia, é falarmos de uma mudança profunda nos processos e práticas das aprendizagens construídas colaborativamente e em rede, suportadas na investigação e na produção de recursos educativos digitais abertos.

A Universidade Aberta tem a sua sustentabilidade no modelo pedagógico virtual, na ação e no modo de promover a aprendizagem colaborativa e a criação de conhecimento nos cenários e contextos da globalização.
Esta sustentabilidade constrói-se também na inovação pedagógica para a educação a distância. Uma inovação intencional orientada para o facto de que somos não só os atores da sociedade em rede mas, principalmente, os autores das redes de conhecimento.
Este é o principal aspeto que quero assinalar no processo de mudança na conceção da universidade e dos modelos e práticas pedagógicas, de investigação e administração para a educação a distância. Significa uma mudança profunda do pensamento na conceção da universidade e na sua missão e função social, e, deste modo, no que diferencia a universidade de hoje da que estamos a construir para a educação a distância e em rede para amanhã.

Uma universidade com uma visão para futuro!

A universidade do futuro será a que soubermos pensar e construir hoje, na mudança do lugar físico para o virtual, na transição entre o local e o global, na forma de afirmarmos as expressões de cultura do local na globalização do conhecimento, será uma organização com um pensamento dinâmico, flexível e aberto à mudança.
Uma universidade que tem como principal objetivo promover a inclusão para a cidadania cultural, científica e tecnológica e, deste modo, a criação do capital social para a valorização da inovação e do conhecimento, através da cooperação e na interação com a sociedade.

Vivemos momentos de profundas mudanças sociais, culturais e tecnológicas que são decisivas para a conceção da universidade que estamos a construir para o futuro. Mas a questão central não pode ser limitada ao modo como os vivemos, mas sim como nos posicionamos e agimos, o que requer que sejamos interventivos e decisores nos processos de mudança e inovação para a criação de valor na globalização do conhecimento.

Esta é a minha visão para a universidade na sociedade digital. Esta é a minha visão para a Universidade Aberta.
É a visão que segui desde o primeiro momento em que assumi a liderança da UAb e que irei continuar a promover, neste novo mandato, na afirmação da qualidade da educação a distância e em rede, cujo maior desafio será transformar o local numa expressão com significado na criação de conhecimento na globalização, com particular destaque para as comunidades e países de língua portuguesa.
Esta é, também, a minha visão e compromisso para com a Universidade Aberta.
O compromisso que quero expressar na liderança da investigação em educação a distância, na internacionalização orientada para a participação ativa na globalização do conhecimento, na qualidade da oferta educativa e na inovação pedagógica, na valorização da confiança no regime de educação a distância, no diálogo com os estudantes e na interação com a voz social.

É neste contexto que emerge um novo pensamento para a conceção da universidade na Sociedade Digital e para a qual é fundamental uma visão esclarecida e estratégica do potencial da educação a distância para nos dirigirmos a novos públicos.
Repito, dirigirmo-nos a novos públicos que exigem, a par da qualidade, a flexibilidade no acesso aos cenários e contextos emergentes de aprendizagem e conhecimento.

Na Sociedade Digital o ensino a distância não será um exclusivo das universidades abertas, não só no país como no plano internacional mas, através da nossa experiência, saber e investigação nos modelos, métodos e práticas da pedagogia da educação a distância, possuímos um conhecimento exclusivo e ímpar neste domínio.
Este conhecimento constitui a especialização da UAb, como já o referi, mas permite-nos, sobretudo, desenvolver práticas inovadoras para a educação na sociedade digital, não só no país como no plano internacional.

Na economia emergente do conhecimento em rede a Universidade Aberta tem um papel fundamental para a renovação do pensamento e das práticas do ensino, não só para a internacionalização como também para a mudança do pensamento e ação da universidade numa sociedade competitiva e global, na qual é reconhecida a qualidade da educação a distância.
Este é um conhecimento especializado, um valor que não podemos desperdiçar, o qual entendo que devemos partilhar para a promoção da qualidade e confiança neste regime de ensino.

Foi neste contexto de partilha e colaboração que a Universidade Aberta e a Universidade de Coimbra estabeleceram recentemente um programa de consórcio para, em conjunto, desenvolverem os novos cenários de educação para a internacionalização e a liderança da educação a distância nos países de língua portuguesa e no mundo.
Estamos, deste modo, a desenvolver uma nova conceção de universidade para a Sociedade Digital que, através da cooperação, ganha, neste novo modelo de ação, a escala para a criação de valor e participação ativa na internacionalização e na globalização.
Esta é a visão estratégica do consórcio estabelecido entre a Universidade Aberta e a Universidade de Coimbra, juntando num projeto comum a universidade mais recente de Portugal, com 27 anos, e a mais antiga, com 725 anos.
Um consórcio que se afirma também na inovação no domínio das políticas públicas do ensino superior português.
Um consórcio com uma visão audaciosa e inovadora, cuja natureza e objetivos estão muito para além dos cenários até agora discutidos no domínio da reorganização da rede de ensino superior público português, e cujo projeto estratégico está claramente orientado para a valorização do conhecimento e da ciência no espaço da língua portuguesa e para a afirmação de Portugal na internacionalização e na globalização do conhecimento.
É um grande desafio mas também o início de uma nova Era, não só para a Universidade Aberta como também para a Universidade de Coimbra, e para a participação de Portugal na internacionalização do conhecimento em língua portuguesa através de uma oferta educativa inovadora e de qualidade.

Não posso concluir sem referir algumas notas que são absolutamente essenciais para o desenvolvimento estratégico da educação a distância no país e na internacionalização, e o papel e a importância cada vez maior deste regime de ensino nos cenários emergentes, o qual terá de merecer o maior reconhecimento e apoio da tutela, pelo seu valor estratégico para a renovação do pensamento e ação da universidade.

A primeira, que assinalo, compreende a ausência de regulação deste regime de ensino, pelo qual tenho vindo e continuarei a lutar incansavelmente.
É incompreensível que após 27 anos da criação Universidade Aberta a oferta educativa desta instituição não tenha um enquadramento jurídico próprio à natureza do regime de ensino que pratica, e que se estende agora a outras instituições, nomeadamente na qualidade do ensino, na obrigatoriedade de formação para a docência online ou, ainda, na necessidade da especificação do modelo e práticas pedagógicas para os ambientes virtuais.
Uma sala de aula virtual está aberta 24 horas por dia vezes 7 dias por semana. Isto é suficiente, presumo, para exemplificar a natureza profundamente distinta deste regime de ensino face às práticas do ensino presencial.
Acresce ainda que a ausência de regulação tem implicações profundas na atividade desenvolvida pela A3ES nos processos de acreditação e avaliação dos cursos, em particular, no enquadramento legal que a agência segue, o qual, no vazio de legislação para a educação a distância resulta, frequentemente, em recomendações não compatíveis com os modelos de atividade da Universidade Aberta, modelos que partilhamos com todas as congéneres do mundo no âmbito dos mais elevados padrões de qualidade.

A segunda nota nesta conclusão da minha intervenção prende-se com o modelo de financiamento do ensino superior que em todas as suas versões sempre ignorou a especificidade da Universidade Aberta e, deste modo, não só fragiliza a sua sustentabilidade financeira mas, principalmente, ignora o retorno social e económico que resulta da sua atividade.
Num momento em que as instituições presenciais estão a procurar incluir ofertas em regime de educação a distância, o modelo de financiamento atual do ensino superior público introduz profundas desigualdades de tratamento que não podemos ignorar.
São desigualdades que se estendem também ao regime de apoio social aos alunos, o qual pura e simplesmente não é contemplado na legislação sobre esta matéria e introduz desigualdades sociais profundas numa sociedade que queremos justa e equilibrada, em igualdade de oportunidades de acesso ao conhecimento, principalmente nos momentos de crise financeira que temos vindo a viver.
Esta é uma questão fundamental e pela qual lutarei sem limites, nomeadamente pela instituição de um contrato programa com a tutela que permita um planeamento rigoroso das atividades, condição por demais reconhecida para uma boa governança.

Concluo com a reafirmação do meu empenho incondicional na liderança e condução da Universidade Aberta para a inovação, no quadro de uma nova geometria do pensamento na investigação, na educação, na internacionalização e participação na globalização das redes de aprendizagem e conhecimento.
Na sociedade da globalização do conhecimento a universidade do futuro será global. Esta é a minha visão para a Universidade Aberta!

Permitam-me reiterar os meus agradecimentos a todos os presentes que comigo partilham este momento simbólico do início da nova Era da Universidade Aberta e, muito em especial à minha filha Inês que atravessou o mundo para estar aqui hoje, comigo.
Disse
Paulo Maria Bastos da Silva Dias
Reitor da UAb




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