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Intervenção do Provedor do Estudante

Exmo. Senhor Presidente do Conselho Geral
Magnífico Reitor da Universidade Aberta
Senhoras e Senhores Membros do Conselho Geral
Senhora Presidente da Associação Académica
Senhoras e Senhores Docentes, Funcionários e Estudantes da Universidade Aberta
Exmos Convidados

É uma honra intervir nesta cerimónia de elevado significado para a nossa Universidade e manifesto a minha satisfação por, como Provedor do Estudante, me poder dirigir a uma tão distinta audiência, no dia de investidura do reitor para um segundo mandato.
A reeleição do reitor é o reconhecimento do trabalho desenvolvido ao longo dos últimos quatro anos, durante os quais a Universidade Aberta deu passos importantes no sentido de afirmação da mais jovem universidade pública portuguesa.

A recondução do Professor Paulo Dias à frente dos destinos da Universidade Aberta é a garantia de que a comunidade académica poderá continuar a contar com alguém que sempre esteve disponível para dialogar, para cooperar, para encontrar consensos e soluções para os problemas dos estudantes.
Os tempos que se avizinham serão difíceis, como difíceis foram os últimos anos. Mas é nos momentos difíceis que se evidenciam as qualidades dos líderes, a coesão das instituições, a consistência dos projetos.
A universidade está em permanente renovação e o próprio sucesso faz emergir novos desafios, cuja solução requer maior criatividade e inovação. É fundamental que esteja preparada para enfrentar desafios exigentes, que requerem respostas firmes e corajosas.
Nós somos aquilo que fazemos disse o Padre António Vieira. Devemos pois, merecer a confiança pelos atos e não apenas pelas palavras. Não basta dizer que somos bons, temos que ser bons. Mais, temos que ser os melhores. A exigência de qualidade deve partir do interior das instituições e transmitir-se à comunidade. Quem se acomoda à sombra do que já conseguiu, está irremediavelmente condenado ao insucesso.

As Universidades enfrentam hoje um problema preocupante, que se tem vindo a agravar ao longo dos últimos tempos: a ideia que a formação superior não vale a pena. Ser titular de um curso já não garante emprego, e há cada vez mais licenciados desempregados ou a desempenhar tarefas que nada têm a ver com a sua formação académica.
Talvez por isso o número de inscritos nos cursos do primeiro ciclo do ensino superior tem vindo a cair desde 2011, tendo ficado, em 2015, próximo dos números de 2008.
É tarefa de todos os agentes ligados ao ensino superior, combater esta onda negativista. Embora Portugal tenha evoluído positivamente ao longo dos últimos anos, está ainda longe dos objetivos traçados pela Estratégia Europa 2020, nomeadamente no que concerne aos titulares de curso superior na faixa etária entre os 30 e os 34 anos, que é a que melhor se adapta à população estudantil da Universidade Aberta, onde ainda está cerca de 10% abaixo dos objetivos.

A situação económica das famílias não favorece o investimento no ensino superior, sobretudo no caso da população alvo da Universidade Aberta, normalmente estudantes pertencentes a uma faixa etária mais elevada, já inseridos no mercado de trabalho e com responsabilidades familiares.
No momento de definir prioridades, a formação académica não estará entre as eleitas, porque as necessidades básicas da família estão, naturalmente, num patamar superior.
Números recentemente divulgados pelo Ministério da Educação e Ciência, referentes ao ano de 2011, revelam que 41,4% dos alunos inscritos no 1º ano dos cursos do 1º ciclo na Universidade Aberta desistiram. Ou seja, em apenas um ano e só no 1º ciclo, perderam-se mais de 800 estudantes.
Embora não tenham sido divulgados os motivos do abandono, são números preocupantes, que exigem reflexão e a adoção de medidas que invertam esta elevada taxa de abandono precoce.

Num país a atravessar uma grave crise económica, em que os problemas sociais e a austeridade constituem fatores de estrangulamento das famílias, a chave do desenvolvimento e da sustentabilidade da Universidade passa, em grande parte, pela sua afirmação internacional, junto da diáspora portuguesa e nos países de língua oficial portuguesa.

A Universidade Aberta, como universidade digital de vanguarda, constitui uma importante plataforma de divulgação da língua e da cultura portuguesas e da oferta de formação superior em rede, nos quatro cantos do mundo.
A aposta na internacionalização não pode, contudo, descurar a vertente interna, de onde provém a maioria dos estudantes. A qualidade do ensino ministrado e a adequação dos planos de estudos são condições indispensáveis para que os diplomados pela Universidade Aberta não sejam discriminados no mercado de trabalho pelo facto de serem titulares de cursos frequentados em regime de e-learning, numa sociedade onde este tipo de ensino ainda é fortemente estigmatizado.

É fundamental que os programas dos cursos correspondam às necessidades do mercado de trabalho, às exigências dos empregadores e aos requisitos das Ordens Profissionais. Um diploma só é útil se for aceite sem discriminação no mercado laboral. É essa a aspiração dos estudantes, é esse o direito dos estudantes.

O atual Governo reconhece o mérito do ensino a distância, ao definir no seu programa, como objetivo, e cito estímulo ao ensino a distância nas instituições de ensino superior, de forma a que este possa representar um modelo alternativo e efetivo, nomeadamente face aos objetivos de qualificação de ativos, fim de citação. Esperemos que o cumprimento deste objetivo se traduza numa efetiva credibilização e valorização do ensino a distância.

Termino, desejando as maiores felicidades ao senhor reitor no cumprimento do mandato que hoje inicia. Que o desempenho desta equipa reitoral contribua para o prestígio da instituição e para o sucesso académico dos estudantes.
Obrigado.
Florival Pereira
Provedor do Estudante da UAb






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