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Intervenção do Presidente do Conselho Geral

As minhas primeiras palavras são dirigidas aos membros da comissão eleitoral a quem agradeço o esforço, empenho, e proficiência, que colocaram ao serviço da nossa Universidade de modo a que o processo eleitoral se realizasse com toda a lisura e elevação.
Bem Hajam.

A UAb tem hoje o seu próprio lugar no sistema universitário português, desempenha um papel único na sociedade portuguesa, servindo populações estudantis muito alargadas e diversificadas, incluindo aqueles com necessidades educativas especiais ou singulares, tem uma presença crescente na opinião pública, alcançou reconhecimento internacional, tem um número significativo de público que qualificou em diversas áreas do conhecimento e demonstrou a sua vitalidade e a sua participação no avanço do ensino superior em Portugal.

Ao levar o ensino público de qualidade a locais distantes e por vezes carenciados de ofertas de qualificação superior, a UAb incentivou o desenvolvimento de municípios com baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e baixa oferta em inovação e desenvolvimento.
A UAb funciona como um eficaz instrumento para a universalização do acesso ao ensino superior sobretudo de públicos que, pelas mais variadas razões, não sendo através da UAb, dificilmente frequentariam ou completariam estudos superiores; por outro lado, tem sido capaz de fortalecer a oferta de formação superior no interior do país e noutros espaços da lusofonia, descentralizando a oferta de cursos de graduação dos grandes centros urbanos e evitando tanto quanto possível um fluxo para as grandes cidades, despovoando ainda mais o interior.

Um dos grandes sucessos da UAb tem sido o modelo territorial que tem vindo a construir. A existência da rede de Centros com os parceiros locais, forneceu uma ampla presença geográfica e criou raízes profundas que fundamentam fortes perspetivas de crescimento. Como autarca posso testemunhar pessoalmente o impacto dos CLAs nos contextos locais e regionais.

Somos pioneiros no desenvolvimento de novos modelos de ensino. A UAb adotou, desde a sua criação, um modelo educacional inovador que alcançou reconhecimento pela sua contribuição para o ensino universitário. Primeiro, a UAb adaptou incessantemente meios tecnológicos disponíveis, fazendo uso efetivo da rádio, televisão, áudio e vídeo; posteriormente, do computador, da Internet, das plataformas digitais e das redes sociais, sempre recetivos à evolução tecnológica no campo dos Ambientes Virtuais de Aprendizagem. Queremos acompanhar os novos tempos e saber criar um modelo flexível e adequado às necessidades do nosso público-alvo. Viver este presente e criar os cenários do futuro é também o que identificamos no programa, nos objetivos e na ação do Senhor Reitor que hoje toma posse para mais um mandato.

Este modelo de aprendizagem flexível, baseado numa combinação de meios e recursos, onde o estudante ocupa um lugar central, se possível, permitindo a construção do seu próprio ambiente de estudo, de acordo com as suas características, a sua situação pessoal, perfil de formação, interesses e necessidades, tudo isto constitui uma valiosa e inestimável contribuição do que é atualmente a Educação a Distância, para o conjunto da comunidade universitária e do ensino superior em Portugal.
Embora na ausência de um enquadramento legislativo em matéria de EaD, com consequências terríveis em termos de financiamento público, a UAb tem feito um esforço e tem sabido procurar o caminho para estar na dianteira da inovação pedagógica e educacional e tornar-se, ao longo do tempo, uma instituição de confiança e confiável. O que a UAb faz com este modelo pedagógico hoje, coloca-a numa posição única para liderar, no contexto do ensino superior português, uma estratégia de desenvolvimento do ensino a distância e e-learning. A UAb, tal como é atualmente, permite-nos afirmar que assume uma posição de liderança na oferta de cursos online, é pioneira no fornecimento de cursos massivos e abertos (Mooc) e a breve prazo na oferta de recursos educativos abertos. Tudo isto não sendo muito, parece-nos que é apenas uma demonstração da força da instituição/organização que todos vós nesta comunidade académica e científica foram construindo juntos.

É urgente o reconhecimento político/ institucional do papel da Universidade Aberta e a consequente fixação de um contrato de financiamento acordado com a tutela.
No contexto das profundas alterações tecnológicas, económicas e culturais ocorridas na última década nos países desenvolvidos, com reflexos no campo do ensino superior, torna-se premente a regulação do sistema português de ensino superior a distância, com as suas especificidades. Concomitantemente, é crucial definir o papel da Universidade Aberta, como universidade especializada com larga experiência na área do ensino a distância e em rede.
A regulação do sistema português de ensino superior a distância e em rede é necessária por razões políticas, operacionais e estratégicas.
Politicamente, o ensino superior a distância e em rede é relevante quer para o aumento das competências dos portugueses, e não só dos excluídos do sistema formal de ensino mas de todos, quer para o reforço da capacidade de internacionalização das universidades portuguesas e a captação de novos públicos.
É necessário promover o aumento da capacidade de oferta portuguesa em regime de ensino a distância e e-learning, mas tal só é possível garantindo a qualidade da oferta formativa e criando incentivos para a cooperação entre as instituições de ensino superior.

Conscientes da oportunidade de operar mudanças na rede e sistema de ensino superior em Portugal, que sejam racionais e decorram de estratégias claras, coerentes e efetivas, em que sejam as próprias universidades, de acordo com os princípios constitucionais da autonomia e diversidade de organização universitária, a tomar a iniciativa, por ser quem melhor conhece a realidade, a Universidade Aberta e a Universidade de Coimbra decidiram encontrar formas possíveis de cooperação. Entenderam os reitores da Universidade Aberta e da Universidade de Coimbra submeter aos seus conselhos gerais, como órgãos de governo competentes na matéria, um projeto visando a criação de um consórcio entre as duas instituições.
Entretanto a aprovação do projeto de consórcio pelos conselhos gerais da Universidade Aberta e da Universidade de Coimbra foi um passo importante num caminho que se afigura árduo, mas também muito estimulante, que necessita da participação crítica de todos.
Pensamos, na Universidade Aberta, que este consórcio operará transformações decisivas em três planos: promoverá a transformação do sistema nacional de ensino superior, dando um peso relevante ao ensino a distância; promoverá a transformação das relações da Universidade Aberta e da Universidade de Coimbra com o exterior, especialmente com os países de língua portuguesa, levando ao reconhecimento, em níveis até agora não vistos, da utilização das metodologias de ensino a distância na formação das pessoas; por último, mas não o menos importante, o consórcio será um fator de racionalização da vida da Universidade Aberta. Com efeito, por natureza e vocação, a Universidade Aberta é uma universidade global, pelo que não pode ser pequena, mas, ao invés, ser grande e influente, ao serviço de Portugal, dos portugueses e dos falantes de língua portuguesa no mundo. Num período de fortes restrições financeiras que afetam gravemente a vida das instituições públicas de ensino superior em Portugal, a Universidade Aberta, ciente das suas responsabilidades como universidade pública de ensino a distância, assume o risco de protagonizar um projeto ambicioso, realista e inédito. Todas estas notas são importantes, mas vale a pena salientar a nota do realismo, porque falamos de um empreendimento que se baseia no conhecimento da realidade existente.
Muito há a fazer para implantar o consórcio e para obter resultados significativos, mas, porque o futuro é um misto de conhecimento do passado e vivência do presente, vale a pena perceber não só que este consórcio foi preparado na Universidade Aberta mas como foi preparado, porque, como vem salientando o nosso reitor, todos somos necessários e todos devemos estar comprometidos com este desafio.

Em nome do Conselho Geral a que presido, reafirmo o meu empenho pessoal, assim como de todos os membros deste Conselho, estou certo, no apoio ao mandato que o Sr. Reitor agora inicia.
Não abdicando das prerrogativas próprias deste órgão, podem no entanto crer que seremos solidários a atuantes na afirmação da UAb como entidade prestadora de serviço público de qualidade e promotora da língua e da cultura portuguesa no mundo.
Desenho-lhe Sr. Reitor as maiores venturas à frente da nossa Universidade.
Dionísio Simão Mendes
Presidente do Conselho Geral da UAb







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