Discurso Direto



As boas-vindas no começo de mais um ano letivo na Universidade Aberta

DD

O objetivo de escrever estas palavras tem dois sentidos profundos, por um lado o acolher e dar as boas-vindas aos estudantes que, a partir de 2015, passam a fazer parte da nossa comunidade académica e junto a isso assumem uma identidade que, estamos em crer, marcá-los-á durante todas as suas vidas. Por outro, inaugurar um novo ano académico, e com isso dar início às atividades de ensino, investigação, criação e extensão que nos são comuns e pelas quais nos desenvolvemos e nos projetamos na vida nacional.

Quanto ao primeiro sentido ser uma ou um estudante da Universidade Aberta neste século XXI constitui, no meu modo de ver, um desafio e uma esperança.
No primeiro caso, é incorporar-se numa instituição universitária que luta pela sua excelência no meio de condições adversas; uma excelência que se constrói, justamente na interação dialógica entre académicos e estudantes com o objetivo maior de produzir o conhecimento. Mas é um desafio, assim mesmo, para todos os que também debatem a sua identidade entre um modelo social que concebe os sujeitos como clientes e consumidores, e os questionamentos contra esse modo de autocompreender-se. Ao mesmo tempo, também é assumir como pessoas a integração numa Universidade pública diferente, já com história, num momento social em que a história, precisamente ela, começa a “apagar-se” dos discursos para dar passo ao imediatismo do descartável, do "novo" como valor mais que cultural, de mercado.
No segundo caso, à esperança que representam, e representaram no tempo, a educação e o conhecimento para a nossa comunidade, a Universidade Aberta do século XXI responde com um significado contemporâneo ao habitar o mundo de maneira humana, digna e equitativa. Isso supõe uma leitura crítica, fundada e propositiva às mudanças sociais. A inclusão das diferenças de género, étnicas, geracionais, entre outras desatam as velhas amarras das conceções conservadoras do mundo; as migrações, os impactos no meio ambiente das políticas energéticas, a urgente necessidade de igualdade, entre outros fenómenos reclamam respostas desde uma visão das coisas cujo horizonte seja o respeito e a participação do diferente no universal, de uma ética que promova o bem comum, a congregação em vez da solidão pessoal como refúgio à desintegração dos velhos laços que nos tornaram em humanos.
Esta é a Universidade Aberta que presentemente dá as boas-vindas aos seus novos e atuais estudantes para mais um ano letivo.
Convido-os a que iniciemos este novo ano letivo com uma convicção e um compromisso. Que o iniciemos com a certeza de que a Universidade Aberta seguirá na senda do progresso, que a cada dia será melhor e que nos empenhemos em contribuir para o desenvolvimento do país. Reafirmamos o nosso compromisso com o conhecimento e com a sociedade em geral.

Quanto ao segundo sentido, quero começar por dizer que enfrentamos tempos de mudança e de dificuldades. Embora a mudança seja uma realidade inerente da vida e da evolução social, as circunstâncias atuais às quais não podemos ser alheios contribuem para torná-la ainda mais imperativa. Em momentos de crises ganham forma duas atitudes. Fechar portas e janelas e esperar escondidos e prudentes para que passe a tormenta ou então converter as ameaças em oportunidades. O problema não é a mudança, na qual a UAb também está envolvida, mas a orientação que deve ser adotada em tais circunstâncias. Vamos ter de defender as "conquistas" que alcançámos nos nossos vinte e sete anos de existência e, ao mesmo tempo, tirar partido das novas oportunidades que emergem para nos colocarmos na melhor posição para o futuro. Vivemos tempos complicados e não podemos deixar de ser realistas – nós vamos passar por dificuldades, mas o nosso objetivo deve ser superado para que possamos deixar reforçada esta instituição pública singular e importante no contexto do sistema de ensino superior português.
O nosso esforço deve ser o esforço por uma universidade pública de EaD de qualidade, aberta e dinâmica.

A realização destes objetivos implica definir e considerar uma série de propósitos que devem nortear a ação de toda a comunidade académica desta universidade, tais como:

Reafirmar o serviço público prestado pela UAb. Tal como os nossos estatutos dizem, em termos gerais, que a missão da UAb como universidade pública de ensino a distância é prestar o serviço público de ensino superior através de pesquisa, ensino e estudo, esta nossa “marca” e caráter público é uma das características mais distintivas que nos compromete, o que significa abrir-nos a todo o “ambiente” social, a prestarmos atenção para a igualdade de oportunidades e liberdade de escolhas sem discriminação de qualquer tipo. Por esta razão, temos de nos reafirmar de forma decisiva.

Promover um ensino e investigação da mais elevada qualidade, naquilo que nos distingue e diferencia. Não podemos conformar-nos, nunca o fizemos, de qualquer forma é nosso dever cumprir com a nossa missão, mas devemos fazê-lo da forma mais plena possível, tendo em conta os padrões e normas mais exigentes.
É da nossa responsabilidade apoiar e orientar o público/estudantes que vêm até nós para obter a melhor formação possível. E nós mesmos devemos ter como metas impreteríveis - o alcançar um nível elevado no âmbito da nossa missão universitária, tanto no que diz respeito a ensinar como na investigação, na transferência de conhecimentos e na responsabilidade social.

Reforçando a natureza aberta da Universidade Aberta. É preciso reforçar a UAb uma universidade aberta à diversidade de alunos que vêm até nós, considerando a diversidade das respetivas situações e expetativas, bem como a multiplicidade de desafios que a sociedade coloca. Por força do nosso vínculo à “coisa pública”, a nossa ação não pode deixar de estar em sintonia com os canais universitários tradicionais, que têm uma presença reconhecida, mas também temos de estar abertos a novas formas e meios de acesso ao conhecimento e, ao mesmo tempo, à ampla função social da disseminação do conhecimento que uma universidade desta natureza deve ter. Temos de adotar a admissão plena e fazer jus ao nome, à forma, ao conteúdo como uma universidade aberta, uma universidade de ensino a distância e eLearning, em toda a nossa orientação, nas nossas abordagens institucionais, na nossa metodologia de ensino e na nossa atitude de projeção externa.

Desenvolver uma atitude de boa governança e de gestão dinâmica. Devemos preservar a substância da missão da UAb, sem a qual não seria quem somos, mas, ao mesmo tempo, temos de adaptar as nossas ações/funções às novas circunstâncias e necessidades, projetando-nos para o futuro. A necessidade de responder aos constantes desafios do presente e aos cenários do futuro que se colocam, os quais são difíceis de prever com antecedência, devem servir como um estímulo para que possam ser ultrapassados. A UAb tem de aproveitar as oportunidades que surgem para reforçar a sua posição nos próximos anos e deve antecipar esses cenários para responder adequadamente aos novos desafios à medida que emergem.

Ninguém pode alcançar os objetivos propostos sem o apoio daqueles que são a comunidade universitária – a academia. É um trabalho coletivo, que importa ser bem gerido, com a colaboração e o estímulo de todos, o qual, ao poder realizar-se, pode provocar uma mudança em qualquer instituição. Ao dizer estas palavras estou a pensar no grande desafio que representa o Consórcio com a Universidade de Coimbra. Permitam-me que transcreva o que já publiquei em conjunto com o Prof. João Caetano na newsletter de julho deste ano: “O consórcio ancora-se numa fórmula de uma universidade completamente contemporânea e de ponta, que será obtida pelas sinergias que resultam da ligação entre dois modelos típicos. De alguma forma, o ensino presencial pode ser identificado com o passado e o ensino a distância com o futuro. Mas a verdade é que é no presente, espaço que está entre o passado e o futuro, que vivemos sempre. E é no presente que surgem as soluções práticas, efetivas, contingentes e reais. É esse presente que se pode buscar ligando duas universidades tão típicas, como a Universidade de Coimbra e a Universidade Aberta, para criar um ensino de ponta em Portugal, moderno, inovador e, ao mesmo tempo, enraizado na tradição. Na verdade, não se trata apenas de criar um ensino de referência internacional, mas também de criar uma investigação e uma transferência de conhecimento de excelência”.

Em nome do nosso corpo docente, dos funcionários, de todos os colaboradores da UAb sejam todos, os estudantes que chegam pela primeira vez, os que já cá estão e estão agora a iniciar um novo ano letivo, muito bem-vindos ao processo de transmutação prodigiosa que é o conhecimento através do predicado da educação. Bem-vindos a esta instituição única e diferente no quadro do Ensino Superior Português e da lusofonia, na qual todos os que nos procuram e que a nós chegam, podem transformar numa realidade as suas potencialidades e as suas aspirações e na qual todos os dias, aqui, se vive com grande intensidade no labor de reafirmarmos o nosso compromisso com a sociedade.

Queria terminar convocando a esperança: Neruda afirmava que poderão cortar todas as flores, mas não poderão deter a primavera. Esperemos, pois, também para a luz e para a vida, outro milagre da primavera. Os artistas costumam pedir que quando chegue a inspiração, esta os encontre a trabalhar – caros estudantes e toda a comunidade académica da UAb, podem estar tranquilos: quando chegar a primavera, certamente que todos os que fazem parte desta academia estarão a trabalhar pelo serviço público que nos carateriza, porque a universidade não deixará de o fazer nem no mais cru dos invernos.

Prof. doutor Domingos Caeiro
Vice-Reitor da UAb





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